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A ARTE DE PERDER






A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar
A perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios,
E mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você
(a voz, o riso etéreo que eu amo)
Não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder
Não chega a ser mistério
Por muito que pareça (Escreve!)
Muito sério.


Elizabeth Bishop
Enviado por Tânia de Oliveira em 09/12/2017
Alterado em 09/12/2017

Música: Silencio - Madredeus



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